Manifesto - Our Daily Pixo

Pixação usually written with X by us pixadores is not only a stylized spelling of words in public spaces of the city, it is an expressive development done mostly by youths from the suburbs, and serves as the voice of the voiceless, the silent cry of the invisible, painted cry, existential run, identity.   Inpixação there is no consensus, much less a single leadership. In real, it is several groups, a wide crazy life loose out there in the city.

Those who pixa defend with teeth, nail and black ink the practice and philosophy of pixação. The spell of pixação snatch the subject pixador, asks disproportionate dedication and risk of death. In pixação what really matters is the dynamic creation of risks. Pixar is not enough, we must produce excitement and adrenaline, transgress to progress, radicalize, shock. Exercise our freedom of speech, since we live in a fake democracy. The new urban field values and reinforces inequality and separation, it is therefore a non-democratic and not modern public space. Discrimination processes get combined to fear, what creates new forms of segregation among which the construction of walls is the most emblematic.

What for some is vandalism, to us is (re) appropriation, the pixador is the urban artist who sees the city as support. We are (re) appropriating a city that was denied to us. The pixo is the re capture of the city by the excluded. Each wall pixada is synonymous with social unrest if pleases or not is another matter, the important thing is that it bothers. Pixação orders more than passage, it asks to stay, as chipped and not polished stone. As a concept and not inconsistency asks solides and calls for respect, and if it won’t be like this pixo will spread further.

Right now many pixadores are being born, traced fate, still not knowing if to become people or urbanoide. It is circumstantial and symptomatic for cultural reference for social contingency, for anthropological reasons. We are the tribe of the underground scribes prevalent and growing in the amniotic sac of the peripheries.

For those who still do not know I announce it here: there is no future, pixo is the absence of the future, the disease of life, modern plague, pestilence aerosol, citrus canker cancer. What is worth is what is written on the walls, and we will not stop.

Cripta Djan – Os + Fortes (SP) Brazil 2013

 

Bio

Djan Ivson or Cripta Djan, as he is known in the streets and in the art world, was born in 1984 in Sao Paulo, started to pixar in 1996, at the age of 13 he entered to the gang "Cripta", from which he is part of until today. Still in his early teens, he conquered space in the metropolis realizing the largest number of pixos in radious and complexity of execution. His activity in the streets consecrated him among pixadores. He was one of the pioneers of the riskiest modalities of pixação, the "escalada" or climbing, reaching the top of sky scrappers with over 20 storeys with no safety devices. After obtaining such legitimity in the movement, he started to defend the cause of youngsters from the outskirts of the metropolis, becoming a leader, and a mirror, for those who wish to leave social invisibility.

 


Contato: djanivson@gmail.com

Manifesto - O pixo nosso de cada dia.

A pixação normalmente escrita com X por nós pixadores não é apenas uma grafia estilizada de palavras nos espaços públicos da cidade, trata-se de um desenvolvimento expressivo realizado em sua maior parte por jovens das periferias, e funciona como a voz dos sem voz, o grito mudo dos invisíveis, brado pintado, corre existencial, identidade. Na pixação não há um consenso, muito menos liderança única. Na real são vários bandos, uma vasta vida louca solta pela cidade.

Quem pixa defende com unhas, dentes e tinta preta a pratica e filosofia da pichação. O feitiço da pixação arrebata o sujeito pixador, pede dedicação desmesurada e risco de morte. Na pixação o que realmente importa é a dinâmica de criação dos riscos, não basta só pixar, temos que produzir excitação e adrenalina, transgredir para progredir, radicalizar, chocar. Exercer nossa liberdade de expressão, já que vivemos numa falsa democracia. O novo meio urbano reforça e valoriza desigualdade e separações e é portanto um espaço publico não-democrático e não moderno. Processos de discriminação combinam-se ao medo, criando novas formas de segregação, dentre as quais a construção de muros é a mais emblemática.

O que pra uns é vandalismo, pra nos é (re)apropriação, o pixador é o artista urbano que vê a cidade como suporte. Estamos nos (re)apropriando de uma cidade que foi negada a nós. O pixo é a retomada da cidade por parte dos excluídos. Cada parede pixada é sinônimo de insatisfação social, se agrada ou desagrada já é outra questão, o importante mesmo é que incomode. A pixação pede mais do que passagem, pede permanência, como pedra lascada e não polida. Como um conceito, e não inconsequência pede solidez e clama por respeito, e se assim não for o pixo vai pegar.

Nesse exato momento muitos pixadores estão nascendo, sina traçada, ainda sem saber se gente ou urbanoide. É circunstancial e sintomático por referencia cultural, por contingencia social, por razões antropológicas. Somos a tribo dos escribas underground, predominantes e crescentes na bolsa amniótica das periferias.

Pra quem ainda não sabe anuncio aqui: Não a futuro, o pixo é a ausência do futuro, a enfermidade da vida, praga moderna, peste aerosol, câncer cancro cítrico. Vale o que esta escrito nas paredes, e nos não pretendemos parar.

Cripta Djan – Os + Fortes (SP) Brasil 2013.

 

Bio

Djan Ivson ou Cripta Djan, como é conhecido nas ruas e no mundo das artes, nasceu em 1984 em São Paulo, começou a pixar em 1996, aos 13 anos entrou para gang “Cripta”, da qual faz parte até hoje. Ainda garoto conquistou espaço na metrópole realizando o maior numero de pixos em raio de abrangência e dificuldade de realização. Sua ação nas ruas o consagrou entre os pixadores. Foi um dos pioneiros em uma das modalidades mais arriscadas da pixação, a escalada, chegando a escalar arranhásseis com mais de 20 andares, sem nenhum aparato de segurança. Depois dessa legitimidade no movimento, passou a defender a causa dos jovens periféricos da metrópole, tornando-se líder e espelho para aqueles que desejam sair da invisibilidade social.